segunda-feira, julho 07, 2014

A casa.

Porque às vezes não consigo. Ouço não para aprender  a dizer sim.
Arrasto. A vida a circunstâncias, o tênis na brita e meu coração pelas ruas.
E nem sempre dá para esconder. Abafo o terreno em obras.
Mas as batidas do martelo acordam toda vizinhança e eu procuro vigas em que me sustentar
Tremo por não ser concreto.
Quero a paciência do artesão e não a eficácia do mestre de obras
Esculpir-me. Desculpar-me. Perdoar-me.
Sempre é a parte que tem mais entulho pra por no caminhão da mudança interna.
Falta acabamento. Falta acabar-me
Falta cor na vida e nos olhos. Faltam presenças pigmentadas
A alegria só vem depois de profunda terras levantadas com pás de caminhão
Pra tirar minha alma lá debaixo, que ficou afundada na reviravolta em que me enfiei
Escavo. Várias horas todos os dias. Até respirar.
 E tentar drenar com canos pros olhos a mágoa
E aos poucos deixar de ser a casa em eterna ruína.

segunda-feira, junho 16, 2014

razão das razões 2

Deus não te fez mais bonito porque as estrelas padeceriam de ciúmes. E os mortais estariam todos condenados a não ter mais pontos de luz para enumerar todas as suas ilusões.

domingo, maio 25, 2014

poema de salvação



























A noite você me visitou

Sonhei
Tua vontade agarrava meus cabelos como você agarrou a vida em vários momentos de precipício
Salvação
Você me convocou para que te desse braços fossem capazes de te sustentar mãos que lapidassem e ombros que te acolhessem
Como oração
Seus olhos de vela aqueciam, iluminavam e queimavam todas as coisas as que alcançavam e as que queriam alcançar.
Chamas como um chamado
A transformação foi além do que pode ser queimado. O toque de luz transforma mais que a agressividade do fogo
Vem
Fui. Não se deve ignorar convocações daquilo que não se coloca barreiras para ser freado. Nem em sonho eu sonharia dizer não para ser o lume do teu mundo.