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terça-feira, agosto 19, 2014
eu
Eu que sou orgânica, que me decomponho ao menor vento. Que não rolo feito pedra, que não sei ir ao curso do tempo. Eu que não sou mais o verbo ser que não estou mais sendo semente ou promessa. Que tenho olhos e o coração e os arrasto pelas ruas a cada passo porque pesam demais para meu corpo frágil e em desordem. Eu que não me componho mais nem em verso nem em prosa. Eu que não toco chão, amasso com o pé e não produzo pegada pois não tenho mais o peso do significado de ser humana. Eu que não sou sentida, não tenho sentidos não cheiro, não tateio e não correspondo nem por telefone ou correio.
Eu que falo do que sou mas já não existo. E que existo sem saber o que sou.
segunda-feira, julho 07, 2014
A casa.
Porque às vezes não consigo. Ouço não para aprender a dizer sim.
Arrasto. A vida a circunstâncias, o tênis na brita e meu coração pelas ruas.
E nem sempre dá para esconder. Abafo o terreno em obras.
Mas as batidas do martelo acordam toda vizinhança e eu procuro vigas em que me sustentar
Tremo por não ser concreto.
Quero a paciência do artesão e não a eficácia do mestre de obras
Esculpir-me. Desculpar-me. Perdoar-me.
Sempre é a parte que tem mais entulho pra por no caminhão da mudança interna.
Falta acabamento. Falta acabar-me
Falta cor na vida e nos olhos. Faltam presenças pigmentadas
A alegria só vem depois de profunda terras levantadas com pás de caminhão
Pra tirar minha alma lá debaixo, que ficou afundada na reviravolta em que me enfiei
Escavo. Várias horas todos os dias. Até respirar.
E tentar drenar com canos pros olhos a mágoa
E aos poucos deixar de ser a casa em eterna ruína.
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
laços.
Porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra.(G.G.Marquez)
Sempre me aparece isso.Me olho com as mãos e me sinto quebrada,Podia ser falta de alguma coisa mas não é só o espaço não ocupado existir.O espaço parece gritar e fazer ecos o tempo todo e reverberar todas as estruturas de vidro causando sons enlouquecedores.Temo que o grito e os ecos me sufoquem.Tenho quebrado paredes com as mãos.Sinto elas doerem.E penso sobre os méritos das lutas e pelo que lutar.
Na realidade eu já tenho todas as respostas.Tenho rezado muito.Tentado agradecer muito.Pois de vez em quando uma luz pequena e sorrateira escorrega pelas frestas do quarto.Ainda que eu continue sem saber pelo que continuar eu sei que o laço com o compromisso deve ser maior que o motivo pelo que se compromissar.Mas não nego quanto dói estar exposta ao sol.E o tanto que me falta tinta pra escrever apenas uma palavra.Liberdade.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.(mateus 6:21)
E se o mundo foi feito para procurar respostas e explicações me explique esse estar longe que parece estar estupidamente tão perto?
Sempre me aparece isso.Me olho com as mãos e me sinto quebrada,Podia ser falta de alguma coisa mas não é só o espaço não ocupado existir.O espaço parece gritar e fazer ecos o tempo todo e reverberar todas as estruturas de vidro causando sons enlouquecedores.Temo que o grito e os ecos me sufoquem.Tenho quebrado paredes com as mãos.Sinto elas doerem.E penso sobre os méritos das lutas e pelo que lutar.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.(mateus 6:21)
E se o mundo foi feito para procurar respostas e explicações me explique esse estar longe que parece estar estupidamente tão perto?
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