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terça-feira, agosto 19, 2014
eu
Eu que sou orgânica, que me decomponho ao menor vento. Que não rolo feito pedra, que não sei ir ao curso do tempo. Eu que não sou mais o verbo ser que não estou mais sendo semente ou promessa. Que tenho olhos e o coração e os arrasto pelas ruas a cada passo porque pesam demais para meu corpo frágil e em desordem. Eu que não me componho mais nem em verso nem em prosa. Eu que não toco chão, amasso com o pé e não produzo pegada pois não tenho mais o peso do significado de ser humana. Eu que não sou sentida, não tenho sentidos não cheiro, não tateio e não correspondo nem por telefone ou correio.
Eu que falo do que sou mas já não existo. E que existo sem saber o que sou.
segunda-feira, julho 07, 2014
A casa.
Porque às vezes não consigo. Ouço não para aprender a dizer sim.
Arrasto. A vida a circunstâncias, o tênis na brita e meu coração pelas ruas.
E nem sempre dá para esconder. Abafo o terreno em obras.
Mas as batidas do martelo acordam toda vizinhança e eu procuro vigas em que me sustentar
Tremo por não ser concreto.
Quero a paciência do artesão e não a eficácia do mestre de obras
Esculpir-me. Desculpar-me. Perdoar-me.
Sempre é a parte que tem mais entulho pra por no caminhão da mudança interna.
Falta acabamento. Falta acabar-me
Falta cor na vida e nos olhos. Faltam presenças pigmentadas
A alegria só vem depois de profunda terras levantadas com pás de caminhão
Pra tirar minha alma lá debaixo, que ficou afundada na reviravolta em que me enfiei
Escavo. Várias horas todos os dias. Até respirar.
E tentar drenar com canos pros olhos a mágoa
E aos poucos deixar de ser a casa em eterna ruína.
terça-feira, agosto 14, 2012
crítica e cansaço
eu só estou muito cansada e fazendo piada com tudo porque se eu parar de rir acho que paro de sentir qualquer outra coisa e não quero me tornar alguém insuportável que se acha bom demais pra ser criticado.Me critico porque duvido que alguém seja mais competente para isso do que eu.
E olha a coisa está complicada.Não é um pedido ou drama a parte é só uma queixa porque as costas estão doendo e se meu coração valesse o quanto anda pesado eu estaria milionária.
E olha a coisa está complicada.Não é um pedido ou drama a parte é só uma queixa porque as costas estão doendo e se meu coração valesse o quanto anda pesado eu estaria milionária.
domingo, julho 29, 2012
prayer
A gente reza agradece pela vida e pede por mais coisas.Todos dias.Day by day.Porque não esperar mais nada deve ser como não ter mais vida.Por isso vem conjugado.Esperar por coisas e viver no fim é a mesma coisa.Vê-las acontecendo ou não idem.Torcer pra que aconteçam também.E quando não acontece dói.Sempre soube que a frustração tem mesmo gosto de morte.
Tem gente que não reza mas mentaliza aquela coisa acontecendo sente o gosto dela virando realidade enfim deseja deseja muito.Rezar talvez seja mais um desejo de alcançar os céus do que uma mera profissão de fé.Sacralizar-se.E aí a vida vira essa coisa sagrada a ser preservada onde nossos desejos orbitam em torno de uma nuvem fina de e frágil de coisas por acontecer.E quando menos esperemos viramos um ecossistema inteiro funcionando num meio onde o equilíbrio é muito fino.Fino o suficiente pro dia virar uma porcaria por coisas simples mesmo com um mercedes na garagem.Somos frágeis.Queremos proteção.E porque não somos capazes de nos proteger?Até somos mas colocar isso em outro centro nos dá alguma garantia ainda que não possamos tocar.E essa garantia nos dá o pontapé inicial para sair de casa sem medo de tropeçar numa pedra bater a cabeça e morrer.Queremos que dê certo torcemos pra dar certo desejamos de todo a alma que dê certo e dar certo acontece o tempo todo e a gente ignora porque tá angustiado demais desejando que nossa vida aconteça e ela já está aí......acontecendo sem que a gente precise desejar nada.
Tem gente que não reza mas mentaliza aquela coisa acontecendo sente o gosto dela virando realidade enfim deseja deseja muito.Rezar talvez seja mais um desejo de alcançar os céus do que uma mera profissão de fé.Sacralizar-se.E aí a vida vira essa coisa sagrada a ser preservada onde nossos desejos orbitam em torno de uma nuvem fina de e frágil de coisas por acontecer.E quando menos esperemos viramos um ecossistema inteiro funcionando num meio onde o equilíbrio é muito fino.Fino o suficiente pro dia virar uma porcaria por coisas simples mesmo com um mercedes na garagem.Somos frágeis.Queremos proteção.E porque não somos capazes de nos proteger?Até somos mas colocar isso em outro centro nos dá alguma garantia ainda que não possamos tocar.E essa garantia nos dá o pontapé inicial para sair de casa sem medo de tropeçar numa pedra bater a cabeça e morrer.Queremos que dê certo torcemos pra dar certo desejamos de todo a alma que dê certo e dar certo acontece o tempo todo e a gente ignora porque tá angustiado demais desejando que nossa vida aconteça e ela já está aí......acontecendo sem que a gente precise desejar nada.
sexta-feira, junho 22, 2012
sol
No bad memories.No fear.No pain.Never more.Never more i feel inside me the feelings that break in down.Togheter my soul is blind.Is a new year.A new person.A new life.
Ela sabia que teria que deixar pra trás isso um dia.Era pra ontem mas adiar o ontem pra hoje estava deixando-a sem amanhã.Que o sol nasça todos os dias.A partir de agora.
Ela sabia que teria que deixar pra trás isso um dia.Era pra ontem mas adiar o ontem pra hoje estava deixando-a sem amanhã.Que o sol nasça todos os dias.A partir de agora.
domingo, janeiro 15, 2012
eu já amei.
Eu já amei.Uma única vez pois não se ama tanto mais de uma vez.E não passou.E ainda está aqui.Sempre estará.
Guarde seu coração com quem realmente o defenderá a altura.
Aquele que o pega com delicadeza e o guarda numa moldura doce e delicada e que a cada reencontro você tenha certeza do que aquilo que é mais precioso pra você estava bem guardado.
Podem se esvair os beijos o amanhã construído juntos o para sempre.Mas a certeza ao voltar a se falar de que nada mudou permanece.
Vem as responsabilidades você sabe que o mundo não será um nós dois.
Mas intimamente tem certeza de que a vida separa e encaminha para outros rumos.
E o amor sempre acha um reencontro cheio de carinho.
é pra você L.H
quinta-feira, janeiro 12, 2012
about me.
Eu queria nesse post escrever alguma coisinha de mim mas periga eu começar a reclamar muito da vida porque normalmente sempre faço isso muito bem.Mas gostaria de dizer que minha família é maravilhosa boa parte do tempo, eu não estou encastelada numa torre usando uma roca de fiar esperando a princesinha espetar o dedo e eu rir e depois desaparecer na história como se nunca tivesse existido.Fato é que tenho problemas, e que enfrentar as coisas se torna muito pior quando você é chato como eu.Chato no sentindo de se perguntar porque tanta gente imbecil em vez de montar uma ong de proteção a gente legal.O quero dizer com isso é que reclamo com constância e não costumo agir com tanta firmeza.Boa parte é preguiça a outra é mal humor e falta de vontade de conviver.No resto estou bem obrigada, tirando fotos esquisitas e escrevendo , coisa que faço o tempo todo até enquanto durmo (sim eu escrevo dormindo em sonho lá estou eu escrevendo).Mas no mais é só isso mesmo como diriam algumas pessoas já pensou se você tivesse filhos?Realmente aí eu tava perdida porque cuidar de uma criança não é nada comparável a uma DST.
sexta-feira, janeiro 06, 2012
Eu ia escrever sobre inocência ou algo assim porque sempre penso nisso como algo que está sempre se perdendo e escrever sempre é uma forma de resgate.Mas decidi escrever sobre algo mais chatinho e menos poético.
Ser diferente.
Eu não me acho exatamente a melhor pessoa do mundo mas é meio chato ter que ficar se adequando direto ao que as pessoas consideram saudável e ideal.Eu queria muito saber aonde esse inúmeros blogueiros tiraram diplomas de terapeutas amorosos ou coisa do tipo.Acho que inclusive assim que se faz inscrição em blogger devia vir um curso rápido de redação porque só isso já evitaria algumas aberrações.
Mas a barbárie não fica só por conta dos erros de português.Sabe é muita gente que não viveu nada da vida, não está dentro de você em suma não sabe do que está falando.E as pessoas absorvem com uma facilidade absurda.Aconselhamento amoroso do tipo, ser menos chata para agradar um homem.Gente e se eu não tiver com vontade de mudar?Será que não acho um chato que pense ao menos parecido comigo?Ou alguém com uma paciência para além do compreensível?A vida não é só isso, você não tem que ser a pessoa mais produzida do mundo, não tem que buscar ser estável emocionalmente para agradar ninguém.Tem que ser isso se te der vontade, se te fizer bem se te colocar em sintonia com o que você quer para você.Século vinte e um e ler algo do tipo em blogs:você é chata louca e instável por isso não tem namorado.Poxa amigo que bacana,eu até acreditaria nisso se todos os bipolares do mundo fossem solteiros.E porque e pra que ter namorado se não apareceu ninguém que se encaixe?qual problema de estar sozinho?Se sentir sozinho é normal , acham mesmo que ter namorado vai livrar você disso?Olha bem para o mundo a gente vive competindo, se cobrando, procurando ser algo bom para quem a gente gosta, ter uma vida financeira que te permita pequenos mimos como comprar aquele livro mais caro ou qualquer coisa do tipo.Namoro não é pré requisito para nada é só apenas um passo a frente, caso você realmente tenha achado alguém que esteja a altura de suportar sua adorável família nas festas de fim de ano.De resto se o medo é ficar sozinho garanto que ninguém precisa de namorado para resolver carência afetiva acho inclusive horroroso ficar se apoiando nas pessoas feito muletas.O famoso ah não gosto tanto assim mas né tô sozinha ele é um cara legal e zZZZzzzZzzZz .Recomendo terapia ou meia dúzia de amigos legais (pode ser alguns que tenham interesse em você porque ninguém é de ferro).E fim.
segunda-feira, novembro 28, 2011
O medo
Eu estava bem até o medo sentar a mesa e pedir para passar o sal.Falar de como fazia tempo que não vinha e que realmente não precisava voltar tão cedo, a cama dele ainda estava feita o travesseiro com seu cheiro e o seu perfume passeava por toda a casa como uma cantiga ninar que acaba envolvendo todas as outras emoções.Ele garfava precisamente as minhas expectativas, minha juventude falava do sabor fresco dos meus sonhos enquanto bebia o resto de ânimo que me restava em um copo.
Ao fim levantou-se da mesa, lavou as mãos na pia do banheiro, usou minha toalha e fitou meus olhos inchados e disse que eu era muito prestativa em convidá-lo sempre para vir ao meu encontro e que gostaria de ao menos conseguir sentir saudades de mim já que eu vivia agarrada aos seus pés.Reclamou da sua presença sempre solicitada mas que estaria ali sempre que eu pensasse em recuar.Foi embora, deixou um cartão com um telefone e me desejou melhoras.
Ao fim levantou-se da mesa, lavou as mãos na pia do banheiro, usou minha toalha e fitou meus olhos inchados e disse que eu era muito prestativa em convidá-lo sempre para vir ao meu encontro e que gostaria de ao menos conseguir sentir saudades de mim já que eu vivia agarrada aos seus pés.Reclamou da sua presença sempre solicitada mas que estaria ali sempre que eu pensasse em recuar.Foi embora, deixou um cartão com um telefone e me desejou melhoras.
quarta-feira, novembro 23, 2011
sobre ir embora
Palavras tem o poder de me quebrar os ossos.Especialmente se toca em algo que pedia por favor me deixe aqui eu PRECISO descansar.
Pois bem
Me lembro desse texto como se fosse hoje.eu tinha chegado muito atrasada pra uma prova.eu comecei a ler e me faltou um pouco o ar.chorei.só tive sensação semelhante aos dezesseis anos ao ler um texto do livro são bernardo de Graciliano Ramos.Chorei doído mesmo como se fosse eu que estivesse ali completamente desamparada, escrevendo o texto que eu na verdade lia.Não era meu mas senti como se fosse.
É um texto sobre despedidas
Eu chorei porque nunca aprendi direito como se vai embora, como se vira as costas como simplesmente...esquecer.
Eu nunca esqueço.Convivo.Mas sempre fico com aquilo de não saber o que fazer com as lembranças e volta e meia pensar que queria dividir algo com a pessoa.
Eu sofro de uma despedida que nunca se completa.Não em mim.Ainda que sem querer eu fico esperando que o tempo resolva tudo.Na maioria das vezes não resolve.Sou um punhado de sentimentos inacabados.Eu sempre deixo a janela aberta esperando que o vento venha mesmo que só tenha mormaço lá fora.
O texto é esse
Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.
Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.
Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.
Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.
Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.
Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.
Pois bem
Me lembro desse texto como se fosse hoje.eu tinha chegado muito atrasada pra uma prova.eu comecei a ler e me faltou um pouco o ar.chorei.só tive sensação semelhante aos dezesseis anos ao ler um texto do livro são bernardo de Graciliano Ramos.Chorei doído mesmo como se fosse eu que estivesse ali completamente desamparada, escrevendo o texto que eu na verdade lia.Não era meu mas senti como se fosse.
É um texto sobre despedidas
Eu chorei porque nunca aprendi direito como se vai embora, como se vira as costas como simplesmente...esquecer.
Eu nunca esqueço.Convivo.Mas sempre fico com aquilo de não saber o que fazer com as lembranças e volta e meia pensar que queria dividir algo com a pessoa.
Eu sofro de uma despedida que nunca se completa.Não em mim.Ainda que sem querer eu fico esperando que o tempo resolva tudo.Na maioria das vezes não resolve.Sou um punhado de sentimentos inacabados.Eu sempre deixo a janela aberta esperando que o vento venha mesmo que só tenha mormaço lá fora.
O texto é esse
A Viajante
Rubem Braga
Com franqueza, não me animo a dizer que você não vá.
Eu, que sempre andei no rumo de minhas venetas, e tantas vezes troquei o sossego de uma casa pelo assanhamento triste dos ventos da vagabundagem, eu não direi que fique.
Em minhas andanças, eu quase nunca soube se estava fugindo de alguma coisa ou caçando outra. Você talvez esteja fugindo de si mesma, e a si mesma caçando; nesta brincadeira boba passamos todos, os inquietos, a maior parte da vida — e às vezes reparamos que é ela que se vai, está sempre indo, e nós (às vezes) estamos apenas quietos, vazios, parados, ficando. Assim estou eu. E não é sem melancolia que me preparo para ver você sumir na curva do rio — você que não chegou a entrar na minha vida, que não pisou na minha barranca, mas, por um instante, deu um movimento mais alegre à corrente, mais brilho às espumas e mais doçura ao murmúrio das águas. Foi um belo momento, que resultou triste, mas passou.
Apenas quero que dentro de si mesma haja, na hora de partir, uma determinação austera e suave de não esperar muito; de não pedir à viagem alegrias muito maiores que a de alguns momentos. Como este, sempre maravilhoso, em que no bojo da noite, na poltrona de um avião ou de um trem, ou no convés de um navio, a gente sente que não está deixando apenas uma cidade, mas uma parte da vida, uma pequena multidão de caras e problemas e inquietações que pareciam eternos e fatais e, de repente, somem como a nuvem que fica para trás. Esse instante de libertação é a grande recompensa do vagabundo; só mais tarde ele sente que uma pessoa é feita de muitas almas, e que várias, dele, ficaram penando na cidade abandonada. E há também instantes bons, em terra estrangeira, melhores que o das excitações e descobertas, e as súbitas visões de belezas sonhadas. São aqueles momentos mansos em que, de uma janela ou da mesa de um bar, ele vê, de repente, a cidade estranha, no palor do crepúsculo, respirar suavemente como velha amiga, e reconhece que aquele perfil de casas e chaminés já é um pouco, e docemente, coisa sua.
Mas há também, e não vale a pena esconder nem esquecer isso, aqueles momentos de solidão e de morno desespero; aquela surda saudade que não é de terra nem de gente, e é de tudo, é de um ar em que se fica mais distraído, é de um cheiro antigo de chuva na terra da infância, é de qualquer coisa esquecida e humilde - torresmo, moleque passando na bicicleta assobiando samba, goiabeira, conversa mole, peteca, qualquer bobagem. Mas então as bobagens do estrangeiro não rimam com a gente, as ruas são hostis e as casas se fecham com egoísmo, e a alegria dos outros que passam rindo e falando alto em sua língua dói no exilado como bofetadas injustas. Há o momento em que você defronta o telefone na mesa da cabeceira e não tem com quem falar, e olha a imensa lista de nomes desconhecidos com um tédio cruel.
Boa viagem, e passe bem. Minha ternura vagabunda e inútil, que se distribui por tanto lado, acompanha, pode estar certa, você.
Rio, abril de 1952.
domingo, novembro 20, 2011
De mim para o mundo.
Acho que nunca vim aqui para dizer estou bem.A dor costuma ser mais bonita de ser lida, porque parece que abrimos um corte no corpo só pra escrever com mais intensidade ou com mais da gente no texto.Eu dificilmente estou bem.Eu já fui feita de idiota eu já briguei com todo mundo eu já gostei do cara que eu realmente só gostei porque não queria ficar sozinha e quem sabe uma boa cama e um eu te amo que eu sempre duvidaria porque milhões de atitudes me fizeram duvidar.Sou egoísta e assumo isso.Quero pra mim sempre, devorar com os olhos fazer falhar batidas de corações.Eu assumi pra mim mesma que até o amor que eu sentia e pelo qual eu sofri é porque eu queria desesperadamente um bote salva vidas que me salvasse do meu mar de carências.E que isso não era amor tanto que quando vi que meu bote podia não estar lá um dia eu fui embora.E amar não é salvar vidas o tempo todo.
Não tenho medo de assumir minha idiotice.Já quis morrer sozinha.Hoje espero.Se vier que venha pro bem, eu não vou exigir mais do que um amor saudável pode dar.Mas a realidade é que é mais fácil se esconder atrás do amor quando tudo deu errado.Se agarrar na desilusão é um modo de se esconder dos problemas.Eu queria um corpo de homem pra estar sempre na minha frente e não só por cima de mim numa transa.Eu queria o tempo todo, pra me esconder pra ser menina pra poder dizer o quanto a vida era ingrata comigo só porque eu escolhi o cara errado pra viver uma parte da minha juventude.
Mas aí eu realmente fiquei adulta.Eu entendi minha mãe como mulher.Como é difícil ser adulta pagar contas e assumir responsabilidades.Eu entendi o amor quando levava meu sobrinho no colo ou quando eu ia na casa do meu avô comer bolo ou tomar um café.Eu descobri o amor na roupa lavada em cima da cama, na preocupação, no choro ao telefone nos dias que eu não dormi porque eu queria desesperadamente fazer algo e chorava de impotência.
Minha vida continua complicada eu continuo sozinha.Voltei a escrever.E não estou sofrendo pra isto.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Insanidades.
Faz algum tempo em que eu recebi meu atual diagnóstico.Que eu prefiro não comentar em detalhes, porque sei como o mundo pode ser escroto com quem está fragilizado, unicamente porque é mais fácil ser desse jeito com quem se expõe do que assumir as suas próprias fraquezas.Eu não conheço ninguém que por meio minuto não tenha desejado fortemente desaparecer da face da terra.Meio minuto de não existir, de não ter que se preocupar de não carregar o fardo que é ser humano.Meio minuto sem lembranças do que se perdeu, do que ainda quer conquistar e por algum motivo não consegue etc.
Toda loucura é vinda do homem.Animais não entendem do que é não ter lucidez.E por isso as pessoas reagem tão fortemente quando você assume suas mazelas de ordem psicológica.Estar louco é ser muito humano.Um fio muito fino nos separa do abismo da insanidade, de se tornar incógnito socialmente.Por fim quero dizer que as pessoas rejeitam aquilo que elas podem se tornar por medo muito grande de ter que lidar com aquilo.O outro acaba sendo o retrato daquilo que ela mais teme.E por isso tenho consciência da minha força.
Já faz uns anos que fui a primeira vez num consultório de uma psicanalista.Não foi divertido e ela não era tão boa assim.Enfim achei minha terapeuta atual que é bem melhor.Mas estou sempre tendo que conviver com certas coisas como recaídas e etc.É tudo muito processual,cansativo e requer uma disciplina que eu não tenho.Estou exausta.Resolvi começar a escrever pra exaurir em parte minha exaustão.Nem eu consigo me aturar ás vezes achando tudo muito ruim.Lembrei que a única coisa que eu sei fazer com excelência mesmo não estando bem é escrever e muito.Então me aguardem muito por aqui.
terça-feira, maio 03, 2011
sábado, abril 23, 2011
Reverso.
Eu pertenço ao contraste.Ao emaranhamento.é sob o papel e caneta que eu me realizo é dormindo de dia e sonhando acordada que eu me componho é escrevendo que eu aprendo como se faz a vida e vivendo vou aprendendo a como escrever.É na flor vermelha de sangue que eu sinto o meu próprio sangue existir é nas cadências do mundo e dos seus barulhos que eu faço minha música.É com o gesto de egoísmo que eu construo minha nobreza e minha paz.Eu sou o reverso.
Violo leis de conduta e construo minha própria forma.Eu corro do sol e saúdo a chuva.Me visto com elegância para me olhar no espelho e deixo o mundo me ver aos trapos.Porque eu preciso existir bonita pra mim.O mundo que venha me desbravar.
Eu descumpro contratos, aniquilo certezas e se preciso insisto no que todos já acham que é perdido.Eu quero ser reviravolta, bagunça confusão pra poder com propriedade ser o novo dentro do que já está começando.E não parar de ter o brilho da mudança nunca.
Violo leis de conduta e construo minha própria forma.Eu corro do sol e saúdo a chuva.Me visto com elegância para me olhar no espelho e deixo o mundo me ver aos trapos.Porque eu preciso existir bonita pra mim.O mundo que venha me desbravar.
Eu descumpro contratos, aniquilo certezas e se preciso insisto no que todos já acham que é perdido.Eu quero ser reviravolta, bagunça confusão pra poder com propriedade ser o novo dentro do que já está começando.E não parar de ter o brilho da mudança nunca.
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
red.
my color is red
the color of passion
the color of blood
the colof of death
around my body all is red.
red like my eyes....in a day of sadness
like the rose in a garden,the rose in a grave.
the color of passion
the color of blood
the colof of death
around my body all is red.
red like my eyes....in a day of sadness
like the rose in a garden,the rose in a grave.
domingo, fevereiro 20, 2011
anjo.
Sendo eu céu como manto que te cobre, meu olhar estará sob os teus passos todos os minutos.Em vigia velarei teu caminho por todos os lugares e em todos os cantos onde for dito teu nome eu estarei lá.Como sangue pulsarei initerruptamente por todas as tuas veias e coração de modo que me confundirás com a tua própria vida.Desembocarei feito rio no imenso mar da tua alma e por dentro de ti passarei sem que me sintas ou veja.como a anunciação de um anjo protetor.
domingo, fevereiro 13, 2011
expectativa.
Tenho tentando deixar mais vida acontecer e esperar menos que ela aconteça;mas assumo que quero muito dentro de mim que de alguma forma tudo dê certo.não importa o irá acontecer.mas que dê certo.
na verdade importa muito o que irá acontecer mas isso se enquadra em viver de menos e esperar demais.então vamos fazendo o nosso , o melhor que pudermos sempre e ver como as coisas vão.
dragões elfos e fadas... existe um mundo quimérico inteiro dentro do meu estomago fazendo festa sem parar.
na verdade importa muito o que irá acontecer mas isso se enquadra em viver de menos e esperar demais.então vamos fazendo o nosso , o melhor que pudermos sempre e ver como as coisas vão.
dragões elfos e fadas... existe um mundo quimérico inteiro dentro do meu estomago fazendo festa sem parar.
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
laços.
Porque as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade sobre a terra.(G.G.Marquez)
Sempre me aparece isso.Me olho com as mãos e me sinto quebrada,Podia ser falta de alguma coisa mas não é só o espaço não ocupado existir.O espaço parece gritar e fazer ecos o tempo todo e reverberar todas as estruturas de vidro causando sons enlouquecedores.Temo que o grito e os ecos me sufoquem.Tenho quebrado paredes com as mãos.Sinto elas doerem.E penso sobre os méritos das lutas e pelo que lutar.
Na realidade eu já tenho todas as respostas.Tenho rezado muito.Tentado agradecer muito.Pois de vez em quando uma luz pequena e sorrateira escorrega pelas frestas do quarto.Ainda que eu continue sem saber pelo que continuar eu sei que o laço com o compromisso deve ser maior que o motivo pelo que se compromissar.Mas não nego quanto dói estar exposta ao sol.E o tanto que me falta tinta pra escrever apenas uma palavra.Liberdade.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.(mateus 6:21)
E se o mundo foi feito para procurar respostas e explicações me explique esse estar longe que parece estar estupidamente tão perto?
Sempre me aparece isso.Me olho com as mãos e me sinto quebrada,Podia ser falta de alguma coisa mas não é só o espaço não ocupado existir.O espaço parece gritar e fazer ecos o tempo todo e reverberar todas as estruturas de vidro causando sons enlouquecedores.Temo que o grito e os ecos me sufoquem.Tenho quebrado paredes com as mãos.Sinto elas doerem.E penso sobre os méritos das lutas e pelo que lutar.
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.(mateus 6:21)
E se o mundo foi feito para procurar respostas e explicações me explique esse estar longe que parece estar estupidamente tão perto?
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